quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A mulher de verde

Aí eu acordei nos meus sonhos
E levantei
O escuro, o escuro e a escuridão
Rastros de claridade perdida
Se escondiam ou eram refletidos
Pelo verde
Sim, pelo vestido verde
A mulher de verde
Surpreendetemente parada na minha porta
Apenas sorrindo
Como se todo esse cenário fizesse algum sentido
Como se ela estivesse feliz em me ver
Em voltar para mim
E eu a pensar
Mas quem diabos é você?
E nada de ela falar...
Era verde de quê?
De esperança?
Não era nada de amor...
Não era nada de nada
Era só medo com raiva e pavor
E eu, sei lá
Nem sabia o que fazer
Também não entendi
Joguei tudo que tinha pela frente em sua direção
Para impedi-lá de avançar
E nada funcionou
Por que, na verdade, ela apenas ficou lá
Com seus olhos sorridentes
Me observando
Quase esquizofrênica
Mas claramente feliz em me ver
E eu, com mais confusão
Me injetei adrenalina
E parti pra cima
Não sabia o que seria
Só queria findar aquela história ali
Agarrei meu violão com firmeza
E avancei sem titubear
Cheguei mais perto...
E mais perto...
E mais perto...
Tudo em milésimos de segundos
Que passaram bem devagar
Mas a expressão dela não mudava
Sempre sorridente, convidativa
Apenas satisfeita por me observar
E isso me explodia por dentro
Me fazendo perder a cabeça
O que me fez querer tirar a cabeça dela, ao invés de perder a minha
Como golpe final, bati sem perdão
Estourei mesmo o violão
Em seu corpo, pensado por mim, frágil
Mas nada acontecia
Ela nem se movia
Estava calmamente toda cheia de olhares
E meu desespero me subia
Já não sabia mais o que fazia
Bati de novo e de novo sem perdão
Mas nada movia ela do lugar
E eu, louco de raiva de confuso
Derramei minhas lágrimas angustiadas
Sem sentido algum
Mas com direção e velocidade
E depois de tanto esforço
De tanto choro e desespero
Baixei minha cabeça e a presença dela se foi
Não sei se foi andando e se retirou
Não sei se se teleportou
Só sei que sumiu
E em mim deixou
Meu quarto vazio
E meu coração acelerado
Palpitando errado
Por ódio e amor
Pulei pra fora do meu devaneio
E me vi sentado na cama outra vez
Com apenas algumas luzes refletidas no corredor
A porta estava aberta
E todo o resto, escuro
Mas agora, já não tinha ninguém lá
Só a rápida confusão
A forte indagação
Os resíduos de um nervosismo
E meu acelerado coração