terça-feira, 22 de abril de 2014

Sobre o poeta

O trabalho do poeta é mais sombrio do que se pode imaginar.
Seus caminhos, o tempo todo, podem variar
Se nas suas viagens mentais ele encontra situações paranormais,
Vidas ideais,
Amores sem iguais,
Honras e ideais,
Os dizeres todos bem na ponta da língua
Que passam para a ponta do lápis
Que se delicia no papel.
É apreciado quando o poeta suga de si mesmo
Todo o discurso silencioso
Que produziu em seu interior,
Que, muitas vezes, quer dizer sua essência,
Sua alma e existência,
E outras vezes é apenas tratado como ironia,
Mas, quem dirá que esse trabalho não tem fulgor?
É, o poeta é tal como o escultor.
Pega seu objeto de trabalho que será modelado,
No caso, as pequenas letrinhas que fazem parte de qualquer código,
E usam da maneira que desejam para produzir arte.
O poeta viaja no seu mundo, e isso tudo faz parte.
Ser poeta quer dizer ser vagabundo.
Quer dizer ser rei, rainha, criador, dono do mundo.
Quer dizer ser pobre, plebeu, discriminado e sujismundo.
Quer dizer que pode ser o que quiser
Se a alma apenas deseja.
E assim, se decide que assim será.
E assim, quereremos que assim seja.
Mesmo depois que tudo se passa,
Até quando brincar de imaginar perde a graça,
Aqui estamos para contar nossas desgraças,
Para cantar nossas felicidades,
Para definir o que achamos que é.
Ser poeta é imaginar
E nunca se prender a tudo definido e ao que definiremos.
É poder sonhar alto, mesmo que caiamos,
Pra poder dizer
A todos os presos que não buscam e não vêem como nós vemos
Que eles estão errados,
Mesmo que nós não estejamos certos.