segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pseudônimo: Lisianthus Noturno

Uma flor
Tão bela, vista sempre.
Mas não esta.
Ela florece à noite,
Ao contrário de todas as outras.
Gosta do escuro,
Das estrelas,
E da luz do luar.
Tens sorte em vê-la
Desenvolver seu modo de pensar,
Noite após noite.
Aqui é mostrada as pétalas
De Lisianthus Noturno.

Desse jeito

Não negarei o quão gostoso é me sentir contigo
E estar contigo
E cantar contigo
Mas, às vezes, parece que há algo suspeito
Nos encantamos e esquecemos o mundo ao nosso redor
Mas quando entramos na música, há faíscas
Em cada olhar que soltamos um para o outro
E isso é bem perceptível para quem está de fora
Claro. Claro que quando nos olhamos
Fica a dúvida no ar
Não sei se te amo ou te namoro
Mas sei que nossa condição é fora da lei
Nossa farra é livre de maldades
Mas não é nada cheia de paz
Se ao menos nossos corpos pudessem alcançá-la...
A confusão que empurra é a mesma que confunde
E a solidão não me consola
Me faz clamar
E só saber que nunca soube de nada
A não ser o fato de que quero você
Mesmo sem ninguém podendo saber
Mas acho que teremos que deixar pra depois
Desse jeito, vão saber de nós dois

Medo do escuro

Olhos na noite,
Formas estranhas,
Surgem diante de mim.
Demônios espalhados pela sala,
Gritando em minha mente.
Pensar em algo agradável,
E logo torna-se perturbador.
Tento achar luz no caminho,
Até chegar o dia.


domingo, 29 de setembro de 2013

Fotossintetizar

Hoje eu quero mudar
Vou deitar numa floresta pra me reecontrar
Vou fazer algo pra me surpreender
Encontrarei, em meio as folhas, o meu lugar
E tudo será calmaria
Com os cantos dos sabiás
Tudo será leve
Como o vento que bate nas folhas da copa
E revela seu batuque
Quero ser para sempre um bicho
Quero estar parado lá para sempre
Lá, onde tudo está sempre acontecendo
Lá, onde ocorre tudo que sabemos
Mas nunca ficamos para observar
Lá, onde os fungos decompõem as folhas
Onde as árvores protegem os pequenos
Onde os animais se atacam com veneno
Onde o mar bebe o Capibaribe
Onde há impressionantes estruturas de lama
Onde os carangueijos parecem brotar do chão
Eu quero mais é observar
Aprender quem eu sou
Sinto que, de agora em diante, tudo mudará
É estranho, mas não sei mais quem eu sou
Sou fóssil e sou pretróleo
Mas tudo bem
Pois também sou carne e sou exoesqueleto
Mas principalmente
Eu quero ser de súber!
Eu quero ter o verde
Eu quero ver o sol e ser feliz
Eu quero apenas fotossintetizar

Doce menino.

Ah meu menino.
meu doce menino,

Como queria, eu, pobre senhora de alma, afagar teu coração assim como afago teus cabelos.
Afagar tua alma, teus sonhos, teus desalentos, tuas paixões, teus anseios, teus temores.

Mas sou senhora e tu és menino.
Sim. Menino. Fantasticamente ansioso e sem caminho. Meus pesares não podem a ti pertencer, pois já não pertenço a ninguém senão a minha própria desilusão.

És menino. Doce menino.
E que açúcar mais inebriante é a tua alma. Açúcar fino e novo, cheio de vidas a açucarar. Mas não te desesperes menino, porque como boa senhora que sou, a paciência me acompanha e sempre estarei aqui para quando voltares cansado da tua jornada fatigado por conhecerdes mais das almas.

Só tu não vês, ó meu menino.
apenas tu amargas o doce coração que a ti pertence. Sorte dos que te verem, sorte dos que te encontrarem e que tu, por piedade, por esperança, por descuido, desempacotar a ti mesmo e mostrar o esplendor tão glorioso da tua alma de poeta, escritor e artista.

Desses que dão vida a vidas secas por aí.

sábado, 28 de setembro de 2013

Meu impasse

De que adianta?
Eu recito pra tu, tu te encanta
Mas sei que se forçar, tu te espanta
Vai embora e nunca mais voltar
E tudo em minha volta, triste se fará
Não te aguento a me olhar de relance
Não te aguento me depositando esperanças
Que me deixam em loucura, com mais desconfiança
De que, um dia, entre nós, haverá um romance

O Vidro

Referência: O Muro http://vamosartezar.blogspot.com.br/2013/07/o-muro.html?m=1

Eu não estava errada
Quando falei que não iria sobreviver
Se houvesse um vidro entre eu e você.

Eu te vejo passar
E não posso te tocar.
Estamos próximos
Somente no olhar.

É uma dor insuportável
Te ver olhar para mim
Desse modo indescritível.
Não posso te ver assim.

Esse vidro singelo
Nos separa de modo irreversível,
Pois ele é eterno
E indestrutível.

Estamos próximos em centímetros
E distantes em infinito.