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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Analisando o Andarilho Urbano.

O andarilho urbano
Que estuda as ruas,
Forma seu pensamento,
Com álcool em sua mente obscura.

Obscura não por morbidez,
Obscura por não passar lucidez.
Ideais da mais pura insanidade,
Paz interna através da simplicidade?

Não passa de um louco, logo digo.
Um jovem em pouco tempo enlouquecido.
Carrega sua cheia e suja barba pela cidade.
Enquanto perde o avanço da humanidade.

...Apesar de uma voz no vento ecoar,
Ocupar o local e sempre me perguntar:
É desse avanço que vós realmente precisais?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Aquele das hipóteses

Talvez eu queira apenas me deixar cair no teu abismo
Eu quero aproveitar teu café, mas só talvez
Me alimentar da tua escuridão
Pra tu se satisfazer do que eu tenho de bom
Talvez eu esteja apaixonado pelo jeito que estou apaixonado por você
E tudo parece um poema sem fim
Um romance, uma novela
Uma boa peça do destino
Um suspiro e um desespero
Uma música de amor
Uma ópera inteira
Um baile
Mas não quero máscaras
Pois, com elas
Não poderei tocar teus lábios

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Desse jeito

Não negarei o quão gostoso é me sentir contigo
E estar contigo
E cantar contigo
Mas, às vezes, parece que há algo suspeito
Nos encantamos e esquecemos o mundo ao nosso redor
Mas quando entramos na música, há faíscas
Em cada olhar que soltamos um para o outro
E isso é bem perceptível para quem está de fora
Claro. Claro que quando nos olhamos
Fica a dúvida no ar
Não sei se te amo ou te namoro
Mas sei que nossa condição é fora da lei
Nossa farra é livre de maldades
Mas não é nada cheia de paz
Se ao menos nossos corpos pudessem alcançá-la...
A confusão que empurra é a mesma que confunde
E a solidão não me consola
Me faz clamar
E só saber que nunca soube de nada
A não ser o fato de que quero você
Mesmo sem ninguém podendo saber
Mas acho que teremos que deixar pra depois
Desse jeito, vão saber de nós dois

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Passageiro

Eu sou aquele
Que vai agregar a dúvida à certeza
Vou permanecer nos teus pensamentos
Tu vai deixar de pensar com clareza
Me meto pelos cantos
Besta feito eu
Jogo meus encantos
O destino me prometeu
Não deixo, me deixo
Levo a levada do amor
Encaro com muito desleixo
Passo a ficar sozinho com a dor
Tudo é passageiro e só impressão
Nada nosso nunca existiu
Eu não roubei teu coração
Mas tu roubou o meu e ainda mentiu

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Mulata

E é insistência que me empurra pela ribanceira abaixo.
Lá no fundo, rio de confusão, correnteza forte.
Me leva logo pros abraços da calma
De cabelos negros e pele escura,
Onde meus olhos fecham
E minha mente fica enfadada
Com o passar de mãos apalpando minha face.
Onde eu posso deitar, me aconchegar,
Rir e me iludir numa esperança meiga, cruel e fatal
Que oscila de acordo com o humor de cada conversa e cada assunto.
Ô vida besta que dá pra viver ao lado dela.
Todo dia na janela, vendo a hora passar,
A nuvem passar,
A pessoa passar,
O sol se pondo e a lua nascendo.
Pega minha mão e me puxa de uma vez pelo braço
Pr'esse sonho inatingível como o sideral espaço
E me faz correr coordenado por todo o salão
Até que, exausto, eu me lambuze no chão.
Os boatos vão correr por toda a urbe,
Mas dormindo, ainda vou estar acompanhado fazendo uma cantata.
E quando acordar, que me perturbe
A lembrança de cada momento com a Mulata.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Carolina


Apenas mais uma moça,
mas não só mais uma.
Diferente, claro, como a maioria é uma da outra,
mas era o meu estilo de diferente.
O diferente bom, maduro, pensante, apesar da pouca experiência de vida.
Tão profunda como uma poça d'água.
Sim, uma poça.
Não por que é rasa e superficial, 
muito pelo contrário.
Poças são relativas.
Podem ser tão rasas quanto profundas, e assim ela é.
Surpreendentemente, parece escolher quando quer ser o que se é.
Ou o que não se é.
Até hoje ainda não sei.
É uma criatura que me rodeia com um mistério incrível.
Me deixa paranoico com cada atitude. 
Não sei o que faz, por que faz, como faz, onde faz.
Tanto faz.
Pra ela, um "sei lá" seguido de um olhar vazio e inocente para o horizonte já basta.
Um "bom dia" seco.
A demora da resposta.
Uma resposta fria.
Demonstrações de quem não liga.
Nenhum esforço aparente.
Mas, ainda assim, 
o sorriso do reencontro.
O abraço apertado.
Leves demonstrações de nervosismo.
Interpretação tem de boia.
Noia.
Paranoia.