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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dinossário Solitauro

Já não aguento mais escrever sobre amor
Eu quero uma mudança de pensamento
Eu quero facas em mim
Eu quero me embebedar no teu veneno
Eu quero ser quem eu sou
Um antiquado
Com palavras e ações fora de moda
Um romântico tolo, um abigobal
Uma estátua triste
Derretendo pelo seu próprio choro ácido
Eu quero ver meus medos escorrendo
Enquanto devoro meu coração
Enquanto queimo os olhos com uma colher
Eu quero me sentir velho nesse mundo
Quero ser sozinho e vagabundo
Quero ser meu próprio presidiário
Um dinossauro solitário

domingo, 22 de setembro de 2013

Loucuras de um verme

Sei que nem tudo que escrevo faz sentido pra ti
Mas nem tanto sentido assim pra mim faz
Sou um viciado em revelar minhas almas e aflições
Mas não quero mais tormentos nem paixões
Não quero teus cabelos juntos do meu
Não quero minhas mãos em você
Não quero tua cabeça em meu peito
Dane-se!
Já não quero
Não quero nada
Apenas seguir essa estrada
Deixar o que foi vivido pra trás
Não me iludir mais
Não escrever mais pra ti
E quem disser que estou errado
Não vou dizer o contrário
Vou dizer que estou sim
Mas agora, tanto faz pra mim
Se nunca vou ter o que tanto sonhei
Dane-se tudo, outra vez
Eu quero novos ares
Navegar em outros mares
Vou cuidar de mim
Pra ser feliz também
E quando te encontrar na próxima esquina
Vou me implorar pra voltar pra casa
E como um verme afogado de ressentimento
Angustiado com minhas decisões
Vou voltar de joelhos
E daí, podemos tentar outra vez
Vou virar teu freguês
Até que tu percebas
Que quem escreve pra ti
Sou eu

sábado, 24 de agosto de 2013

Inspiração

Preciso de você pra me sustentar na vida
Pra pensar com mais clareza
E me confundir com mais sutileza
Pra me tirar a monotonia
Me levar pra tristeza ou alegria
Pra eu deixar de realeza
Volte pra mim e venha comigo
Viver a vida de muita ilusão
Estou esperando por você, inspiração

terça-feira, 23 de julho de 2013

Escreva-se!

Como forma brilhante de expressão
Expressa de maneira clara ou enigmática
O que tem no coração
O escritor de mente fantástica

Jeito novo de chamar atenção
Modelado pelo poeta ou transmissor
Às vezes, meia palavra já dá satisfação
Pro bom entendedor

Escreva coisas e afins
Verás que é bom sair do bolo
E ser uma solitária flor de lis
Pra colocar na construção mais um tijolo

Pra mostrar quem tu és e o que sentes
E sair contando histórias por aí
Prove que és diferente de dementes
E que mais autenticidade no mundo vais ajudar a construir

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Diário

Obrigado meu diário
Meu melhor funcionário
Diz o que penso
Canta o que sinto
Me livra do silêncio
Pra você, não minto
És o melhor ouvinte
E o maior divulgador de minhas ideias
Por vezes, és até meu melhor amigo
Nunca discutes comigo
Mas sempre me fazes refletir bem
E sempre estais aqui
Me dando suporte
Seja a hora que for
Do jeito que for
Sentindo o que for
Não sei como suportas
Meus escritos melancólicos
Mas me enche de alegria
Quando vejo teu apreço
Pelas coisas belas que escrevo

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Agora é

Paro minhas ansiedades e liberto meus pensamentos em letras.
Tudo se estrutura livremente, sem vergonha.
Os profundos pensamentos saem, cheios de si, convencidos.
Reprimo-os, mudando sempre o assunto fundamental do texto,
Mas o inevitável ocorre.
Eu falei pra mim, inúmeras vezes, que não escreveria mais sobre tal dor.
Jurei entre meus lençóis e travesseiros
Que nunca mais seria pra você o meu amor.
Mas como um bumerangue, os sentimentos vão e voltam da mesma forma.
Não era, não era MESMO, para ser sobre você.
Mas agora é.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Carta à amiga flor

Querida amiga flor,

     Não se contenha. Deixe-se levar. Seja subjetiva mesmo. Adoro como escreves apaixonada com suspiros de esperança e de amor. Adoro como vejo que acreditas (ou acreditavas) que irias ser feliz ao lado dele. Tuas poesias são de uma dor imensa por causa de uma dúvida eterna que ainda não desfizeste. Se tu acreditares e insistires, terás a resposta, em breve ou não. Mas acredito em quem tu és. Sei que irás conseguir ser feliz (comigo ou sem migo, como já dissemos antes) e serás a mais feliz de todo o jardim. 
     Tuas palavras são belas, delicadas e graciosas como tu és. Por vezes, não as entendo, mas assim és pra mim em vida real. Um certo enigma com ar de mistério. Poderes ocultos e sombrios... Mas sei que não és nada disso por dentro. Sei que por dentro és alva alma, que errou mas que sabe disso e se arrepende a cada novo passo. Melhoras a cada dia.
     Se tens tanta beleza por dentro, e sei que tu sabes disso, por que não te deixas desabrochar? Os autores são bem lembrados pelos seus toques de subjetividade aqui e ali, não se deve ter vergonha disso. Chegue e grite para o mundo quem tu és. Mostra teu belo interior. Desabroche, minha flor. Sei que tens vergonha, mas não podes esperar pela primavera para sempre. As primaveras estão passando todo ano e tu és a flor sozinha desse jardim. Se não desabrochas, nunca será primavera outra vez. 

domingo, 23 de junho de 2013

Oração (Aí vindes outra vez)

Vindes outra vez, inquietas sombras,
Com teus espíritos iluminantes.
Nada de obscuro tens,
A não ser por não seres viva.
Mas chegue, com sua áurea inspirante.
Seu jeito cativante que me faz sentir.
Chegue com minha loucura e sua esquizofrenia.
Chegue com tua desconfiança pairando em meu ser.
Traga minhas lembranças consigo.
Esfregue tudo na minha cara e faça doer,
Para que, daí, eu fique tão inquieto quanto ti
E possa colocar tudo para fora ao escrever.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pílula

Tome uma
E tudo está bem.
Escreva uma
E irás conseguir ir mais além.

Café

E enquanto a água do café ferve,
Tento retomar os textos.
Mas do que poderia falar?
Vida, morte,
Amor, ódio,
Transcendência.
E de tanto pensar, resolvi falar de café.
Elixir da concentração e descontração.
Reúne amigos em amistosas conversas.
Quatro da manhã e ainda acordado?
Até o fim da tarde, o café lhe deixará energizado.
E no tempo em que um pequeno texto é redigido,
O café quase queima na cafeteira.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

A escritora imprevisível

Começas a escrever e não dá outra
Mudas a estética do escrito como quem troca de roupa
Escreves de um jeito quando é amor e de outro quando é dor
Mudas a essência do texto como um camaleão muda de cor
Pode ser lápis, grafite ou caneta
Ninguém nunca sabe como vai ser tua letra

terça-feira, 7 de maio de 2013

O poema


Estava eu sentado no parque
com os amigos a conversar,
quando um deles disse que ouviu uma pergunta,
feita, na minha opinião, sem ao menos pensar.
"Poema, pra que vai servir?
Não vamos usar isso por aí".

Entre os amigos, há quem disse que a pergunta era válida.
Outros diziam que era de total juízo.
Pergunta válida, até que era sim,
mas quem perguntou não pensou antes disso
nas razões do real escrever,
nem em tudo o que a literatura pode dizer a você.

Poemas são formas lindas de expressão.
São coisas belas de se dizer.
Se queres presentear alguém com algo belo e verdadeiro,
sugiro a ti um poema escrever.
Pois não se encontra por aí
algo de uma forma tão sincera assim.

Poemas mostram contextos históricos.
Revelam o pensar de cada época.
Fazem críticas, descrições e mostram paixões.
Vêm com suas rimas frenéticas
nos fazer pensar e nos ensinar,
não importa sobre qual século ou lugar.

E digo mais ao amigo questionador desconhecido:
poemas ajudam a aprimorar sua escrita.
Te fazem raciocinar sobre semânticas e rimas.
Não te faz perfeito, mas também não te torna maricas.
Te faz um cavalheiro pensante com ar de conhecimento.
Te faz dominar a escrita como um instrumento.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ecos do ito (dança da inspiração)


Sentar no espaço infinito
Pensar nos países em atrito
Nos casais em conflito
Na canção e seu grito
A seca e a chuva de granizo
O metal, a pedra de granito
Escrevo e desvendo todo mito
Passo pro papel tudo que sinto
Sento na cadeira, aperto o cinto
Deixo pra lá a vodca e o absinto
Peço café, a cada hora mais um litro
Vejo passando a piar um periquito
Vejo crescer um pé de palmito
Percebo na sombra um olhar esquisito
Gravo e recordo o som que emito
Enquanto os grandes astros imito
Idolatro pensamentos eruditos
Volto a pensar num assunto restrito
Procuro na minha mente, em cada brecha solicito
Um assunto que tenha o perfeito requisito
Não acho um que seja meu favorito
Me sinto cada vez menos expedito
Viajo, na mente, pro Egito
Percebo minha concentração da finura de um palito
Mais uma xícara de café ao meu lado deposito
Me olho no espelho e me dou um pito
Acabo pensando em bailarinas e seus modelitos
Tentei me lembrar se hoje tinha chuva de meteorito
Mas paciência é um bem finito
É, realmente, há dias que não se dá pra elaborar um escrito.

sábado, 13 de abril de 2013

Mania morta


Tristeza? Não.
Estranhamente, não.
Ele decidiu, ou talvez apenas sentiu, que não era momento pra isso.
Simplesmente não a sentiu.
Não sei por que, muito menos ele sabe.
Mas, incrivelmente, foi assim.
Até parece loucura, por que drama e tristeza rodam sua vida cada vez que ele leva um tombo.
Sempre teve mania de se rebaixar, se entristecer, se conter no seu canto e ficar ali por horas, cantando músicas tristes e sentindo a dor se espalhar por sua mente.
Mas hoje, não. Não dessa vez.
Ele viu que há coisas mais importantes.
Coisas que valem à pena.
E viu que hoje está feliz. Elétrico. Animado.
Conseguiu dar valor às coisas pelo menos uma vez.
E hoje, quer apenas escrever.
Seja
     assim
           ou
              a
               s
                s
                 i
                  m. Pouco importa.
Está apenas feliz por se livrar dessa mania morta.