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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Eu sou a civilização humana.

Eu sou a civilização humana,
Que cresce constantemente,
Que como um todo nunca para,
Que internamente entra em conflitos,
Que desentende-se sempre,
Que sem comunhão comigo,
Morrerei por minha própria causa,
Pelas névoas do "progresso",
Pelas nuvens radioativas.
Quando me destruirei o suficiente,
E finalmente perceberei,
A hora de mudar...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Lotado

De 5:30 eu levanto,
Tomo meu banho, como meu pão.
Saio de casa sem nenhum encanto.
A vida parece não ter sustentação.

Boto a mão pra pedir parada
Em grande lamentação.
Todo ônibus que chega,
Já tá perto da lotação.

É calor, barulho, engarrafamento,
Estresse e aumento do tormento,
Que vai criando desesperança.
Vemos um Estado só fazendo lambança.

Todos já conhecem a lei da física,
Então, hão de concordar
Como eu fiz quando, vi essa expressão.
Tava pixado na Boa Vista
Que dois corpos não ocupam o mesmo lugar
No busão.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Jovem

Me convém
Estar acima da razão
Ainda sou jovem
E disso não abro mão
Seja por qual motivo for
É interessante quando eu paro tudo
E faço meus biscoitos
Causo minhas mortes
Imagino meus amores
Descarto minhas sortes
Sumo com minhas oportunidades
E digo que estou cansado
Sem propriedade
E sem razão
Mas com veemência
E determinação
Me convém
Te errar
Com meus olhares penetrantes de alma
Daqueles que secam os mais densos mares
E te acertar com minhas cantadas baratas
Que não surtiriam efeito
Da maneira que fosse
Mas me convém
Tudo me convém
Pois assim sou
E não vou muito mais além
Estou acomodado assim
Vou descobrindo tudo com tranquilidade
Mal conheço os becos e ruas da cidade
Mas tudo bem
Estamos apenas no começo
Anseio o futuro com apreço
Sou um mero jovem

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Future-se!

Resolvo tudo em um só clique
Falo com quem deveria estar ao meu lado
Ando no meu carro novo e chique
E meu cérebro fica mesmo é parado

Tecnologia está aí pra facilitar
Mas a gente usa ao contrário
Ao invés de usarmos pra nos ajudar
Usamos pra ficar sedentários

E o homem vai se tornando escravo da máquina
Deixando inaptidão e insuficiência por dentro
Se vemos um presente com toda essa lástima
Segure-se
Talvez seja uma solução drástica
Querer avançar no tempo
Se prenda ao passado
Não faça errado
Future-se!

domingo, 8 de setembro de 2013

Fast-atitudes

Vou levar um copo de paciência
Dois pratos de humildade
Devolver a inadimplência
Acabar com a relatividade
Digerir o pudor
Mas, moço, se apresse por favor
Tou aqui só de passagem
Embale tudo pra viagem

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Apagão

Acabou a luz.
Pausa, confusão.
Desespero.
E agora?
Pega o carro, não tem bomba de gasolina.
Vai pra casa, mora no trigésimo quarto andar.
Quando vai acabar, nem televisão, nem rádio, nem computador
E agora?
Pausa, confusão.
Desespero.
Se acabar a luz, a vida acaba.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Preciso

Eu preciso de mais atenção
De mais carinho
De mais amor
De mais aconchego
De mais paixão
Mas só eu preciso?
Talvez se eu não achasse que precisasse
Me sentiria completo
E ao invés de dizer que preciso
Me doaria
E isso que falta em nós
Exigimos o que queremos
Dizendo que precisamos
Mas poucos se desdobram
E satisfazem o outro sem esperar nada mais
Que amor em troca

Mundo individual

Às vezes, é simplesmente incrível
Como o individualismo tornou-se invencível
O mundo se tornou imiscível
E as atitudes pessoais tornaram-se irreconhecíveis

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Desejo rico de homem pobre

Que Deus te abençoe, Jovem
Tanto quanto ele não fez comigo
Sou filho sem graças, esquecido
Refém da dor e da solidão
Levo a vida severina, sem nem irmão
E você pode ter tudo que almeija
Mas só quem é alma boa não deixa
A ruindade tomar conta do coração

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Corrupto

Eu teria um milhão de razões
Mas prefiro um milhão no bolso
Quem não tem, pra roubar, colhões
Que se contente comendo osso

Se recebo, não invisto
Guardo tudo pra gastar
Com minha família e meus bichos
E com o luxo do meu lar

De surpreso, nunca sou pego
Ninguém vai desconfiar
Se me acusam, eu tudo nego
Se me cassar, vou renunciar

Nasci pra ter privilégios
E dos outros me aproveitar
Meu nome é corrupto
Vim aqui te roubar

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Macho alfa

Eu sou o maior maioral.
Não tem melhor do que eu.
Sou macho alfa por natureza.
Sou, com certeza.
Tenho um ego
Que vai do Leme ao Pontal.
Chego com o carrão,
As nêga ficam doida com minha firmeza.
Em pegar todas, eu sou o líder,
Pois é.
Por que quando eu levo elas lá em casa,
Elas sentem a destreza e me respeitam.
Ah, é,
Eu me armo com a simpatia,
E elas, desarmadas, dizem sim pro tio.
O que eu tenho é o poder
Da sedução e conquista feroz.
Já era um menino de ego grande e todo esperto.
Sou o macho alfa e quero mais,
Pois não devo nada a ninguém.
Eu sou o patrão,
Mas pras mulheres, sou bandido.

sábado, 27 de julho de 2013

Não se apega

Você não é o culpado.
Não se sinta um anormal.
Me dá um beijo e um obrigado
E depois vai logo me dando um tchau.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

É gol do Brasil


Brasil, meu Brasil!
Cadê tu, meu Brasil reivindicador?
Cadê tuas lutas?
Teus gritos?
Tuas revoltas?
Tuas contestações?
Tuas inquietações?
Num canto, gritam "Direitos!!",
Noutro, "Democracia!!",
Noutro, "Liberdade!!",
E em tuas terras,
No teu berço,
Nos teus braços, meu Brasil,
Só gritam "Gol!!".

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Bem de consumo


Ah, meu bem!
Meu metrô, meu trem,
Meu amor e mais além.
Meu amor é quem?
Nem lembro quando foi alguém,
Só sei que hoje não é mais ninguém.

Mas sua presença é essencial,
És um bem capital
E lamentavelmente és o amor,
Um bem não durável.
És bem de quem, que não te tenho?
Acho que não sou consumidor.
Sempre fui duro mesmo...

Em meio a tanto temor de acabar sozinho,
Troquei o amor pelo consumismo.
E faço o quê se não te posso comprar?
Tardo a esperar?
É mais fácil nascer outra vez
Do que essa cabeça consumista mudar.

domingo, 28 de abril de 2013

Mente máscula desfigurada


Proteína
Creatina.

Malhar
Ganhar.

Carro,
Tirar sarro.

Pegar
e não se apegar.

Não sei onde
os princípios masculinos 
foram parar.

sábado, 27 de abril de 2013

Jéssica


Quando via nas primeiras vezes, pensava "mas que bela...".
Quando conheci, percebi o desastre.
Grita, berra, faz escândalo.
Barraqueira.
Tem cara de gente de classe, mas espírito de uma mal-educada.
Não sabe respeitar. 
Faz as coisas na gambiarra, no jeitinho brasileiro.
Faz sem dó nem piedade e não se sente culpada.
"A culpa é dos outros, que estão reclamando".
"Incomodados que se mudem".
Se acha a dona do pedaço.
Acha que tem mais direito que os outros.
Se considera a anciã do povo.
Coitada.
Mal sabe ela que vale tanto quanto sua altura.
50 centímetros? Hum... Talvez menos.

domingo, 21 de abril de 2013

Bárbara


Essa não tem pra onde correr.
Nunca foi inteligente.
Mente aberta, nunca quis ter.
Pra completar, fala tudo como uma demente.

Acha que tudo tá errado,
todo mundo é defeituoso.
Todos devem ser iguais
e homem tem que ser gostoso.

Bonito de corpo, não basta.
Tem que ser "diferente".
Quase um orgiasta,
mas com ar de inteligente.

De estupidez e ignorância
não sei como ela tem tanta.
Trata todos com irrelevância
e acaba sendo uma anta.

Quando quer discutir
e seus argumentos são derrubados,
berra logo e sai por aí
como se alguma coisa tivesse ganhado.

Se acha superior,
complexa, cheia de fases.
Deixe de ser imbecil, por favor.
Vá criar suas próprias frases.

domingo, 14 de abril de 2013

Pare-se!


Vida à velocidade da luz.
Informação correndo a mil.
O "boyzinho" acha que seduz
usando seu jeito tão viril.

As pessoas correm todo dia,
não assistem o luar.
Tem gente que nem conhecia
as maravilhas desse lugar.

A natureza calma e cativante
em meio à destruição humana 
está numa luta incessante
contra a burrice soberana.

Os superiores corrompidos
sugam os bens da população.
Nunca são desmentidos
por aqueles que não recebem seu pão.


E a juventude narcisista
quer tudo apenas em sua mão.
Se diz muito progressista 
mas quando demora, pensa que é tudo em vão.

Violência na tevê.
Estupro no jornal.
Pare-se, você!
Deixe de ser tão banal.

Vá ler um livro,
discuta sobre algo que preste.
A mudança começa em você,
nem adianta fazer uma prece.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Retorno ao puro

Carros a toda hora
Televisões, jornais
Todos mostrando suas tragédias.
Todo maldito dia.
Trabalho, revolta, assaltos, miséria.
Apenas desejo fugir desta deprimente rotina
Rotina do cidadão contemporâneo,
Da globalização, da falsa liberdade. 

Quero apenas fugir.
Na divina floresta residir.
Apenas o puro é o que quero sentir,
Ao mesmo tempo em que em conjunto
Ar, Água, Animais naquele pedaço de mundo
Façam com que eu possa aproveitar.
A poderosa energia das plantas,
Que minha alma quer tanto se conectar.
Sentir todo o microcosmo, todo o macrocosmo, 
Fluindo de forma harmonicamente imperfeita.