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domingo, 1 de dezembro de 2013

Pesca

Queria modelar e descobrir
Mas isso já não podia fazer
Vou ver o mundo cair
E o rosto amanhecer
Queria solar teus anseios
Dominar tuas habilidades
Queimar teus devaneios
Em todas as cidades
Mas tudo que queria
Querer já não poderei
Tudo isso me dá agonia
Das palavras me apoderei
Já vou usá-las como trunfo
Se ninguém sabe usar como eu
Não vou fazê-las de drunfo
Como fez um amigo meu
Vou torná-las cativantes
E tu vais te apaixonar
Com amor tão cintilante
E de plenitude feito o mar

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Inverno

     Ele passou por tudo e sobrou o silêncio. Só o silêncio e ele. Juntos. Completando-se. Tanto silêncio que escutava seus pelos erguendo-se quando tinha um calafrio. Não conseguia enxergar mais nada ao redor. Suas flores tinham, há muito, sumido. No céu, nem sinal de estrelas. No horizonte, um raio de sol ia se escondendo devagarinho. E ele se arrastava, como o verme que era, lutando incessantemente como um tolo. Todas as correntes do mundo puxavam-lhe o pé, mas ele não desistia. Chegou à exaustão, finalmente, enquanto o último raio de sol despediu-se. Triste, sentiu sua pele esfriar. Congelou, enquanto seu mundo escurecia à sua frente. Tudo se apagou. O homem fechou os olhos por um instante e, de repente, um vestígio de luz se mostrou em sua mente. Quando abriu os olhos e se deu conta do que estava acontecendo, desesperou-se. Aquele era o último raio de sol de um inverno que já tinha começado demasiado frio. Adiante, apenas frio e mais frio o aguardava. O verdadeiro inverno estava por vir. Tudo estava em sua beira de início.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O que quiser

Diga o que quiser
Pense o que quiser
Sonhe o que quiser
Escreva o que quiser
Desenhe o que quiser
Sinta o que quiser
Recuse o que quiser
Você não destruirá meu mundo
Pois o mesmo já não mais existe

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Retrato do meu drama fútil

Podia ter começado a escrever mais cedo
Pra ser um Manuel de Macedo
Pena que questão nenhuma eu fiz
De ser um Machado de Assis
Ao menos, deixei de ser um espectro
E escrevi, como fez Lispector
Não queria que esse fosse meu fim
Queria ser um aspirante a Jobim
Mas o que aprendo não é coisa fina
Nunca terei tanto sucesso quanto Elis Regina
Sinto que nunca serei grandioso
Como um Caetano Veloso
Não sei como vai ser o dia de amanhã
Mas não serei como um Djavan
Não vou ter meus sucessos numa vitrine
Nunca serei tão bom quanto Lenine
Sobretudo, queria celebrar a arte
Mas nunca serei nenhum Chico Buarque

P.S.: Um dia, eu Vi valdi
      E pensei, "i'll Bee thoven"

terça-feira, 28 de maio de 2013

E ninguém entende

Tenho o teclado à minha frente
Espaço a ser ocupado na minha mente
Dedos ansiosos por digitar
Paro e tento me concentrar pra criar

Passa o tempo e nada consigo
Na minha cabeça, é difícil achar um amigo
Mas tenho a noite e suas estrelas
Brilhando no céu, tão belas

Tenho uma xicará de café
E uma cadela deitada no meu pé
Mas sobre o que eu quero não sai uma rima
Essa obsessão se torna um ímã

Tenho ideias que levo na cabeça
Que fazem com que alguns ideais desapareçam
Levo sentimentos no fundo do coração
Que não mudam, seja aqui ou no Japão

Tenho todo o tempo do mundo
E por isso, não paro. Vou fundo
Podia parar e pegar meu violão
Pra fazer remexer tudo como um tufão

Tenho tudo o que é necessário pra viver
Mas por loucura, não consigo ver
Não me deixe simplesmente continuar
Por que quero, inevitavelmente, alguém amar

Não sei por que amigos e outras coisas não bastam
Esses poucos remendos da minha vida só se arrastam
Não consigo chegar ao lugar que quero
Não tenho alguém pra dançar um bolero

A vida que se segue assim
Tão monótona com estranho fim
Já não me revela tanto encanto
Me deixa decepcionado pelos cantos

Me deixa triste e sozinho
Me priva de todo aquele carinho
Que sonhei em dar e receber
E daqueles momentos que tanto queria ter

domingo, 26 de maio de 2013

Sonhos

Já fugi com uma fada na Conde da Boa Vista
Corri pra não ser morto na Abdias
Me assustei com aranhas na parede de uma casa mal-assombrada
Dancei valsa no salão com Milady de vestido rosa
Vi um jogo de futebol quase agoniante
E por várias e várias vezes sonhei com nós dois
Infelizmente, eram sonhos que nunca tinham um fim completo
Sempre éramos interrompidos no meio da conversa
Ou no meio do clima
Ou no meio dos beijos
E no meio da felicidade
Pelo sol me iluminando a cara
Pelas portas da minha casa batendo
Pelos cachorros latindo
E, às vezes, por que era algo que eu queria que se tornasse verdade quando acordasse
Agora que parei pra pensar, nenhum desses sonhos sequer faz sentido
Nem mesmo o de nós dois juntos
Somos um passado distante e um futuro improvável
Mas, ah!
Se eu pudesse tornar esses sonhos em verdades
Te daria a fada
Correria pra te encontrar
Deixaria pra trás as casas e o futebol
Só pra dançar uma última valsa contigo

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O idiota


Sou teimoso desnecessariamente.
Podia simplesmente deixar isso passar,
Mas não.
Só por que eu ainda quero.
Só por que eu acho que mereço uma nova chance.
Todos sabemos qual o desfecho dessa história
E insisto nisso.
Sou, quase declaradamente, um masoquista,
Um suicida
Levado por impulsos.
Um idiota
Que gosta de sofrer.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Desabafo


Indeciso de minhas vontades
Sigo minha vida pensando
De cabeça baixa
Toco meu violão e viajo no som sozinho
Sinto a vibe ao meu redor
O cheiro das plantas
A brisa geladinha desarrumando meus cabelos
As pessoas conversando
Até aquele momento em que tomar decisões é inevitável
E eu penso, repenso, analiso, julgo
E, no fim
Nada
Decido fazer nada
Gasto horas pensando em como seria
Já gastei horas desejando que acontecesse algo
Ou desejando fazer algo
E nunca fiz
E assim continuo
Sem saber o que querer ou o que fazer
Mas ainda a analisar as situações
E estranhamente, desejando que elas acontecessem por um lado
E hesitando seus acontecimentos por achar que fosse dar errado
Bom, provavelmente não daria certo mesmo
É só aquela parte imatura e carente de mim querendo que as coisas acontecessem
Resultado disso é minha mente ficar confusa e indecisa
Luto pelo quê?
Pelo que quero?
Mas o que eu quero é outra coisa
É uma coisa diferente das que estou lutando
E aí dá mais vontade de lutar
E gera mais insegurança ainda
Não acho que existam lutas em vão
Mas sei os riscos que corro com cada luta
Cada vitória, ou impressão de vitória, te revigora
Te deixa radiante
Te faz leve
Só que, quando menos se espera
Alguém pode vir e te dar uma facada profunda no peito
E aí, tá tudo acabado outra vez
Foi assim que começou o grande trauma
Talvez daí que venha toda essa confusão e indecisão
Fazer o quê? Lutar? Esperar?
Sei lá
Esqueci o que eu quero
Tô fora dos eixos
E essa confusão vai me deixando mais indignado
Revoltado
Enquanto a confusão e indecisão aumenta
Pra resolver esse impasse
Só jogando tarô, dados, 
Pedra, papel e tesoura
Acho que eu to querendo levar outra facada, isso sim!