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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O que?

Visto minha roupa pelo avesso
Troco o açúcar do meu café por sal
Desperdiço a cafeína 
Esqueço minhas chaves
Tropeço nas rachaduras de uma rua
Perco meu ônibus, perco a parada
Não ouço, não falo
Observo as pessoas indo e vindo 
Procuro as palavras para a conclusão de um antigo poema
Perco também
A ponto de nada fazer mais sentido
Nem o poema
Nem o que eu penso
Nem o que eu acabei de esquecer.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A mulher de verde

Aí eu acordei nos meus sonhos
E levantei
O escuro, o escuro e a escuridão
Rastros de claridade perdida
Se escondiam ou eram refletidos
Pelo verde
Sim, pelo vestido verde
A mulher de verde
Surpreendetemente parada na minha porta
Apenas sorrindo
Como se todo esse cenário fizesse algum sentido
Como se ela estivesse feliz em me ver
Em voltar para mim
E eu a pensar
Mas quem diabos é você?
E nada de ela falar...
Era verde de quê?
De esperança?
Não era nada de amor...
Não era nada de nada
Era só medo com raiva e pavor
E eu, sei lá
Nem sabia o que fazer
Também não entendi
Joguei tudo que tinha pela frente em sua direção
Para impedi-lá de avançar
E nada funcionou
Por que, na verdade, ela apenas ficou lá
Com seus olhos sorridentes
Me observando
Quase esquizofrênica
Mas claramente feliz em me ver
E eu, com mais confusão
Me injetei adrenalina
E parti pra cima
Não sabia o que seria
Só queria findar aquela história ali
Agarrei meu violão com firmeza
E avancei sem titubear
Cheguei mais perto...
E mais perto...
E mais perto...
Tudo em milésimos de segundos
Que passaram bem devagar
Mas a expressão dela não mudava
Sempre sorridente, convidativa
Apenas satisfeita por me observar
E isso me explodia por dentro
Me fazendo perder a cabeça
O que me fez querer tirar a cabeça dela, ao invés de perder a minha
Como golpe final, bati sem perdão
Estourei mesmo o violão
Em seu corpo, pensado por mim, frágil
Mas nada acontecia
Ela nem se movia
Estava calmamente toda cheia de olhares
E meu desespero me subia
Já não sabia mais o que fazia
Bati de novo e de novo sem perdão
Mas nada movia ela do lugar
E eu, louco de raiva de confuso
Derramei minhas lágrimas angustiadas
Sem sentido algum
Mas com direção e velocidade
E depois de tanto esforço
De tanto choro e desespero
Baixei minha cabeça e a presença dela se foi
Não sei se foi andando e se retirou
Não sei se se teleportou
Só sei que sumiu
E em mim deixou
Meu quarto vazio
E meu coração acelerado
Palpitando errado
Por ódio e amor
Pulei pra fora do meu devaneio
E me vi sentado na cama outra vez
Com apenas algumas luzes refletidas no corredor
A porta estava aberta
E todo o resto, escuro
Mas agora, já não tinha ninguém lá
Só a rápida confusão
A forte indagação
Os resíduos de um nervosismo
E meu acelerado coração

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Navalha

Já não é só cartão de crédito
O que tu chamas de amor, eu chamo de navalha
Corta minha garganta e vira tudo do avesso
Bagunça tudo e derrama pelo ralo
Aí, eu te odeio até o talo
Minha querida, o cenário agora é outro
Eu estou esfolado e invertido
E agora, meus sentimentos importam mais que os seus
Não sou mais tímido, mas nem por isso vou falar
Você tem todas as manhas, mas não consegue mentir pra mim
Eu estou nos seus braços
Ou aos seus pés?
Tanto faz, caia morta
Eu não ligo, não me importo
Vou apenas continuar gritando meus choros
Ah, meu amor!
Seus sentimentos são mais importantes que os meus
É claro, é claro
Me diga como esteve e como estás
Eu não quero saber
Eu não quero você
Venha comigo! Me chame!
Não
Tudo bem

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Tudo em dobro

O p e o b se completam
Dois 3 formam um 8
E quando deita, fica infinito
Dois "o" formam uma cara assustada
Três pontos formam um mistério
Duas rodas formam uma moto
E com mais duas, formam um carro
Tudo em dobro dá origem a algo novo
E tudo em conjunto dá origem a um novo mundo
Dois livros formam um novo cidadão
Dois anos mudam uma pessoa
Mas só três pontos vão formar o mistério
Tão cheio. Tão cheio de si
Tão iluminado e ofuscador de nós todos
O mistério domina as vidas
Mas, qual o ponto disso?
O w e o m se completam
A sétima resolve com a tônica
E fica tudo mais leve
Destensifica
Dois gansos, frente-a-frente, formam um coração
Duas pessoas constroem um amor
Dois olhares sempre se encontram
Duas mãos sempre se entrelaçam
Dois corpos não conseguem ter paz
A música fica mais completa com a dança

domingo, 20 de outubro de 2013

Minha amargura

Minha companheira é a dúvida
O drama é minha frescura
Meu coração é carne pútrida
É rico, leve, cheio de amargura
Não tem um amor que se preze
Nem um pensamento que se reveze
Não precisa nem que eu reze
Por alma tão impura

Minha vida é um engano
Como haviam programado
É alcino, butano, ciclano
Sao os mesmos erros cometidos no passado
É tudo nebuloso, não compreendo direito
Eu sou caubói e não quero ser prefeito
Não quero minha dor quando me tiras proveito
Não quero, nunca mais, estar ao teu lado

Juntos somos conjunto vazio
E meu amor por ti não é nada complexo
Mas te odeio sem precisar dar um pio
Nossa relação é um tanto sem nexo
O tempo para e anda de mansinho
À tarde, você já nem lembra do meu carinho
À noite, estarei pra sempre sozinho
Mas a madrugada pode me deixar perplexo

Depois de tudo, amor não pode ser
Que a amargura me corrói
Eu sinto mesmo é ódio por você
Quando tudo se constrói
Poemas eu te faço
Com letras eu te traço
Te sonho com amasso
E quando tu chega, me destrói

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Cérebro

     Uma sala. Frio. Um livro. Uma professora. Idade média, Alta? Baixa? Sim, sim. (Suspiro) Invasões. Bárbaros. Volta-se ao livro. Continua frio. Que história fantástica desse livro! Quero viajar como ele. Visto o casaco. Os Hunos. Império Otomano. Será que fiz o certo? Espero que ele não me odeie pra sempre. O frio diminuiu. A Idade já é Baixa. Livro envolvente. Como eles são livres e tristes! Por quê? Haverá algo melhor pra mim? Morrerei só? Feudalismo. Violão no canto da sala. Acho que estou com fome. Realmente espero que ele não me odeie. Nossa! olha tudo o que aconteceu em Bizâncio! queria ter visto.. Quero pegar a estrada. Quero ser um livro.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Confusa omissão

Não há nada a acrescentar
Se eu era muito bobo a te amar
Deixo meu coração respirar
Minha mente bater em paz
Meus pulmões pensarem
Meus olhos gelarem
Minhas mãos olharem
Meu corpo ouvir
E meus ouvidos tremerem
Pra dizer que não sinto nada
Pois camuflar o amor
Sempre foi mais fácil e doloroso

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Olhar que me engana

     Seus olhos, às vezes, me dizem uma coisa, mas sua voz me diz outra completamente diferente. Eu acredito na sua voz, eu sei que o verdadeiro sentimento está sendo expressado por ela... mas seus olhos me confundem, fazem com que eu tenha um pouco de esperança, uma que eu nem sabia que existia. E por que parece que você alimenta essa esperança?
     Talvez eu só esteja delirando. Quem sabe, se eu me afastar, eu volte ao meu estado lúcido, e a minha imaginação pare de ver o que não existe.
     Mas no fim, eu não vou me afastar, porque eu tenho certeza que estar com você é o que me impede de enlouquecer de vez.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pensamentos Misturados


Não consigo,
Eu persisto.
Tenho raiva,
Eu desejo.
Começo a cair,
Eu levanto.
Quero um abraço,
Eu beijo.
Vou odiar,
Eu amo.
Estou triste,
Eu corro.
Para bem longe.
Em um lugar mais longe talvez,
Às vezes canso dessa vida,
Mas quero fazer tudo outra vez.

domingo, 14 de abril de 2013

Conto de uma alma. Alma? (Parte I)

Por que eu? (pergunta ridícula)
Não consigo respirar. Não posso me deixar viver.
Tem algo errado. Algo falta.
Por que sinto?
Há algo. Ao avistar a escuridão. Ela não para, Ela não se cala.
Continua a sussurrar gritantes sensações distintas, desconhecidas, demasiadas e fortes.
Em mim.
O que está acontecendo?
Não havia, eu, me libertado?
Não vivo. Não é real. Nada nesta vida parece real.
Minha verdadeira alma dorme tranquila enquanto me esforço para não esquecê-la e não pertubá-la.
00:00 .. 12:00 ..00:00..
Não para, Não passa.
Por que não chegas?
Inquietude, Transtorno.
Aconteça! Aconteça! Me desperte, Me liberte.
De onde vem tanta dor?
Torno-me como quem já viveu grandiosos amores, grandiosas vidas, mas se perdeu.
Poeta sofrida. Sofrida de Alma, não de Vida.
Vida.
Já não vivo novamente. Nada é.
Me canso. Meus ossos tremem de dor, minhas entranhas parecem desaparecer.
novamente.