sexta-feira, 31 de maio de 2013

Chamando Seres Estranhos

Venha para a Terra.
Pise no chão.
Não deixe fluir
A sua imaginação.

Não diga o que pensa,
Seja igual à nós.
Ninguém aqui comenta,
Então guarde sua voz.

Seja humano
E saia do espaço.
Somos programados,
Somos feitos de aço.

Nos dizem o que fazer
E não nos deixam agir.
Capturaremos você.
Não há para onde fugir.

Retrato do meu drama fútil

Podia ter começado a escrever mais cedo
Pra ser um Manuel de Macedo
Pena que questão nenhuma eu fiz
De ser um Machado de Assis
Ao menos, deixei de ser um espectro
E escrevi, como fez Lispector
Não queria que esse fosse meu fim
Queria ser um aspirante a Jobim
Mas o que aprendo não é coisa fina
Nunca terei tanto sucesso quanto Elis Regina
Sinto que nunca serei grandioso
Como um Caetano Veloso
Não sei como vai ser o dia de amanhã
Mas não serei como um Djavan
Não vou ter meus sucessos numa vitrine
Nunca serei tão bom quanto Lenine
Sobretudo, queria celebrar a arte
Mas nunca serei nenhum Chico Buarque

P.S.: Um dia, eu Vi valdi
      E pensei, "i'll Bee thoven"

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A escritora imprevisível

Começas a escrever e não dá outra
Mudas a estética do escrito como quem troca de roupa
Escreves de um jeito quando é amor e de outro quando é dor
Mudas a essência do texto como um camaleão muda de cor
Pode ser lápis, grafite ou caneta
Ninguém nunca sabe como vai ser tua letra

Drama

Sempre que penso
Ele invade meu sistema

terça-feira, 28 de maio de 2013

E ninguém entende

Tenho o teclado à minha frente
Espaço a ser ocupado na minha mente
Dedos ansiosos por digitar
Paro e tento me concentrar pra criar

Passa o tempo e nada consigo
Na minha cabeça, é difícil achar um amigo
Mas tenho a noite e suas estrelas
Brilhando no céu, tão belas

Tenho uma xicará de café
E uma cadela deitada no meu pé
Mas sobre o que eu quero não sai uma rima
Essa obsessão se torna um ímã

Tenho ideias que levo na cabeça
Que fazem com que alguns ideais desapareçam
Levo sentimentos no fundo do coração
Que não mudam, seja aqui ou no Japão

Tenho todo o tempo do mundo
E por isso, não paro. Vou fundo
Podia parar e pegar meu violão
Pra fazer remexer tudo como um tufão

Tenho tudo o que é necessário pra viver
Mas por loucura, não consigo ver
Não me deixe simplesmente continuar
Por que quero, inevitavelmente, alguém amar

Não sei por que amigos e outras coisas não bastam
Esses poucos remendos da minha vida só se arrastam
Não consigo chegar ao lugar que quero
Não tenho alguém pra dançar um bolero

A vida que se segue assim
Tão monótona com estranho fim
Já não me revela tanto encanto
Me deixa decepcionado pelos cantos

Me deixa triste e sozinho
Me priva de todo aquele carinho
Que sonhei em dar e receber
E daqueles momentos que tanto queria ter

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Uma perspectiva do grande julgador

     Às vezes, ele só quer ser elogiado. Quer saber que é importante e faz parte de algo maior. Quer olhar em volta e se dar conta de que se importam com ele. Quer perceber que, de alguma forma, é diferente. Que está mudando o mundo. Mas não. Ele não é diferente de qualquer um de vocês. É só um egoísta mimado que se acha dono de seu próprio mundo e sei que muitos de vocês são bem melhores que isso.
     Até o entendo... Se ao menos ele não se iludisse achando que sua vida está mergulhada em desgosto. Talvez fosse melhor se ele achasse outro corpo pra mergulhar suas lágrimas. Mas é fraco. E como! Não consegue se sustentar sozinho. Acha, ilusoriamente, que precisa de alguém para ajudá-lo pro resto da sua vida.
     No fim de tudo, grande julgador, te entendo mas não concordo e jamais hei de concordar contigo. Sei que nunca recebeste tanto carinho dos teus próximos e muito menos atenção. Sei que todos os teus amores até hoje foram frustrados e te doem o coração. Mas tens o potencial necessário para passar por cima de tudo isso. Só precisas de um pouco mais de positividade. 

domingo, 26 de maio de 2013

Amor pausado.

Enxerguei o amor, e foi assim.
Tão simples quanto havia de ser.
Por hora, sem mistérios, sem segredos.
Só amor mesmo.

Ai se ele soubesse!
O quanto é prazeroso
sentir o meu ser observando
(atentamente)
não como quem espera,
mas quem sente.

Enxerguei o amor.
E foi assim que comecei a viver :
Deslumbrada com a sua beleza.
Óbvia, honesta,clara mas complexa.
(assim como a natureza)

Mas eis que não o tive com frequência
e fui vivendo assim, a vida na pausa.
Uma hora se vive.
Outra se para.