Mostrando postagens com marcador julgamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador julgamentos. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de maio de 2013

O grande julgador e os julgamentos de terceiros


     E lá estava ele de novo, na sua. Sentado num banco, curtia seu reino imaginário outra vez, viajando distante em sua mente. Percebeu a aproximação de três fêmeas e as julgou, como de costume. Nenhuma delas era bonita ou parecia ser interessante o suficiente pra ele. Ignorou-as então, voltando para seu reino de harmonia. Em certo momento, mais uma fêmea se aproximou. Julgou-a, para não perder o costume. "Que menina feia", pensou.
     Daí, esperou um pouco e se concentrou na reação das outras fêmeas quando a "feia" se aproximou. Sentadas próximas a fêmea "feia", riram e julgaram quase discaradamente. Duas que estavam um pouco mais distante disseram baixo "olha a franja dela" e riram. Espantado, o grande julgador se sentiu culpado em julgar. 
     Depois da fêmea "feia" bater em retirada, as demais continuaram falando e rindo dela. O deboche foi tanto que o grande julgador sentiu de novo suas cicatrizes arderem. Sentiu a áurea da fêmea "feia" que, se tivesse ouvido cada xingamento proferido, teria se entristecido. Sentiu-se um lixo. Um lixo ardendo em chamas com suas cicatrizes. Sentiu outra vez como era ser julgado.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O grande julgador


     Tinha vontade e espírito de um rei. Queria tudo como desejava. Não gostava de ser criticado, mas sabia julgar como ninguém. Parava, analisava e apontava coisas sobre todo mundo, não necessariamente ruins, é claro. Deixava tudo guardado em sua mente, mas quando externava seus pensamentos, fazia as coisas virarem um caos.
     Certo dia, viu-se diante de uma situação bastante peculiar. Viu colegas de trabalho divergentes discutirem e não chegarem a um acordo conciliativo. Rei de seu próprio reino imaginário, decidiu intervir na discussão. Julgou o "lado certo" a defender e decidiu por criticar quem achava que estava errado.
     Depois de várias tentativas de defender o que era "certo", ganhou o apoio de pessoas ao redor que pensavam da mesma forma. Mas como não há como agradar a todos, foi duramente criticado pelos que dele discordaram. Por não conseguirem ser tão convincentes quanto ele, começaram a julgá-lo. E julgaram, xingaram, gritaram. E o grande julgador logo pensou "Ignorantes! Não sabem argumentar e tentam espernear qualquer coisa para me fazer parar de falar".
     Se retirou da discussão por achar que aquilo não ia ter o resultado esperado. Subiu a colina sob a luz das estrelas e parou para refletir. Quando se deu conta, estava sangrando. Percebeu que tinha provado de seu próprio remédio, e o gosto era péssimo. O grande julgador tinha sido finalmente atingido por um nocaute arrebatador que abrira uma grande ferida em suas entranhas. Uma ferida profunda. Uma que nunca mais ia sarar.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Marina


Mulher forte, inteligente, independente, decidida.
Meiga quando quer.
E ainda, por trás de atitudes boas de um ser humano capaz,
Fraca. De mente aberta, mas limitada.
Sabe argumentar, mas sabe que está errada.
Está errada e não muda.
Se olhas pra ela, ela logo pergunta "O que há? O que você quer?"
Cada olhar seu dirigido pra ela parece ser totalmente ofensivo.
Como se ela achasse que você não tem direito de olhá-la,
afinal, ela é "superior".
Não que ela se ache, por que sei que no fundo é insegura.
Mas que é paranoica, ah, isso sim.
Paranoica até não poder dizer mais.
Acha que todos estão ali pra criticar.
Acha que sempre quando falam, estão apontando coisas ruins,
falando rudemente e proferindo ofensas a ela.
Como reação, escolhe ser grossa, louca, descontrolada.
Escolhe dar fora nos outros, sem mínima necessidade.
Sem o menor entendimento.
Fazem QUALQUER coisa ao seu redor e ela já se incomoda,
como se fosse uma rainha que está insatisfeita e que todos temos que agradar.
Mal sabe ela, que a vida é feita de variáveis.
Nem sempre todos estão ali pra criticar.
Nem sempre todos estão ali pra julgar.
E ela julga. Ah! Como julga!
Julga qualquer olhar direcionado a ela.
Qualquer palavra proferida ao seu redor.
Não procura saber o que se passa realmente.
Age pela grosseria.
E assim, afasta quem só está ali para viver sua própria vida,
e não relacioná-la com uma paranoica qualquer.