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terça-feira, 27 de maio de 2014

O "amor" pelo psicólogo. (obrigada Freud e Mead)

Depois de adentrar em teu ser.
Depois de te revirar, te estudar, te acolher.
Sabia como te ajudar.
Sabia como te lembrar e te fazer respirar.
Depois de pensar..
Vi teu SELF desmanchado.
Vi a neura do teu SUPEREGO.
Vi a ânsia do teu ID.
Vi teu desespero pra ser alguém pros Outros Significantes.
Vi quando criastes tua máxima, se afirmando para o Outro Generalizado.
Vi que tua Linguagem era rasa.
Vi de forma mais enlouquecedora a briga sangrenta que desregulou teu EGO.
Vi e entendi tudo o que se passava da forma mais conexa que pude chegar de ti.
Te ofereci um colo. Não quis.
Te ofereci consolo. Não quis.
Te ofereci escape pra a angústia de tuas Pulsões. Não quis.
Entendi. Até sorri.
Tua felicidade não depende de mim. Nem de ti. Também não quis, eu, por muito
muito tempo ser feliz. Sinto que continues assim.
Sinto? senti.
Agora reflito na tentadora segurança do conhecido.
Reflito sobre o que fazer de mim.
Triste me faço ao ver a ti, assim.
As vezes ao me ver assim.
As vezes.
As vezes sou como ti .
As vezes esqueço de mim.
As vezes me afogo dentro de mim.
As vezes ainda me divirto com partes de mim.
As vezes ainda invejo os que, por sorte, não enxergam a si.
As vezes, me Perdi.

sábado, 4 de maio de 2013

Mais uma camada de gostosura

Eu sou lindo e maravilhoso
Sou gostoso e ainda é pouco
Sou legal com todos, acredito
A minha  opinião é a melhor, ta dito.
Se eu te ofendo, é para te ajudar
Se te elogio, comigo podes andar
Não? Só existe quando eu digo
A menos que eu te diga para negar
A minha vida é uma nação
Minha palavra é lei, com razão
Pois sou o melhor do mundo
Quem duvida, procure a fundo
Mas quem sabe um pouco de maquiagem
Ainda tenho espinhas no rosto
Maquiagens e cirurgias...
Tudo uso e faço, a gosto
Agora sou lindo e maravilhoso
Sou gostoso e mais um pouco.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O grande julgador


     Tinha vontade e espírito de um rei. Queria tudo como desejava. Não gostava de ser criticado, mas sabia julgar como ninguém. Parava, analisava e apontava coisas sobre todo mundo, não necessariamente ruins, é claro. Deixava tudo guardado em sua mente, mas quando externava seus pensamentos, fazia as coisas virarem um caos.
     Certo dia, viu-se diante de uma situação bastante peculiar. Viu colegas de trabalho divergentes discutirem e não chegarem a um acordo conciliativo. Rei de seu próprio reino imaginário, decidiu intervir na discussão. Julgou o "lado certo" a defender e decidiu por criticar quem achava que estava errado.
     Depois de várias tentativas de defender o que era "certo", ganhou o apoio de pessoas ao redor que pensavam da mesma forma. Mas como não há como agradar a todos, foi duramente criticado pelos que dele discordaram. Por não conseguirem ser tão convincentes quanto ele, começaram a julgá-lo. E julgaram, xingaram, gritaram. E o grande julgador logo pensou "Ignorantes! Não sabem argumentar e tentam espernear qualquer coisa para me fazer parar de falar".
     Se retirou da discussão por achar que aquilo não ia ter o resultado esperado. Subiu a colina sob a luz das estrelas e parou para refletir. Quando se deu conta, estava sangrando. Percebeu que tinha provado de seu próprio remédio, e o gosto era péssimo. O grande julgador tinha sido finalmente atingido por um nocaute arrebatador que abrira uma grande ferida em suas entranhas. Uma ferida profunda. Uma que nunca mais ia sarar.