terça-feira, 30 de abril de 2013

O matuto


O país inteiro acomodado
Uns, lutando pelos direitos que lhes convêm
Outros, sabem nem o que acontece

E a gente aqui, nessa terra sufrida
Tudo lascado, sem água, sem gado
Sem nem isperança im Deus
Num cai uma gotinha d'água derde sei lá quando
Home, esse calor num para de mi judiar!
Eu queria era uma chuvinha boinha dessa
Pra meu gado bebê água
Pra mó d'eu sustentar minha família
Mai nem ispaço pra desejo parece que tem mais
Todo dia é um calor da disgraça
Num passa nem vento na roça
Num passa rente
Num canta passarin
O rio de trás das mata secou-se todin
Valei-minha nossa sinhora!
Me acude, santíssima trindade!
Or menin tudin morreno de fome
Ar galinha, tudo maga
Dá nem pra apruveitar
Ar carcaça dos gado tudo ali, no meio da roça
Essa terra toda rachada
Toda lascada
Nóis tudo sujo, sem puder tumar bain
Sem consiguir arranjar trabaio fai tempo
E agora, eu faço o que da vida, bença?
Êssi guverno tá matano nóis tudin
Comé que essa pulítica foi acabar lascando o Nordeste todo?
Num sei, só sei que foi assim...

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Críticas não... Palavras

Não são críticas construtivas,
Também não são destrutivas.
Aliás, sequer são críticas.
Não é descrição,
São meras palavras
Sem segundas intenções,
E sem pretenção de interpretação.
São singelos pensamentos,
E conversas nossas,
Postas num papel.
É dito isso de você
Por você,
É o que te escuto dizer,
De forma poética talvez.
Mas isso tudo
Não passa de palavras,
Quem sabe,
Sem significado algum.
Não critico ninguém,
Muito menos descrevo.
Palavras como aquelas
Não é uma definição,
É apresentação.
É como dizer seu nome
Para alguém que acabas de conhecer.
Você reclama
Sem nem ao menos
Ver o que é que se foi dito,
O que se foi escrito.

Românticos


Românticos são ultrapassados
Com sentimentos exagerados,
São dramáticos inveterados
E loucos apaixonados.

Somos eu, a Viajante e o Vander Lee.
O Falecido, a Cosmopolita e a Rita Lee.
A Lisianthus, o Apogaeis e o Jeneci.
O Bandeira, a Prima-Dona e o Machado de Assis.

A Duda, o Alencar e o Álvares de Azevedo.
O Castelo Branco, a Nínive e o Manuel de Macedo.
O Antunes, o Quintana e a Laís.
Lispector, Dilaércio e Júlio Dinis.

O Blunt, o Shakespeare e a Calcanhotto.
Nando Reis, Cazuza e Tony Bellotto.
Ana Carolina, Seu Jorge e o Bernardo Guimarães.
Chico, Caetano e Gonçalves de Magalhães.

Poderia eu passar a noite a recitar
Nomes e nomes, infindáveis como o mar.
Mas basta apenas que saibas leitor, 
Que pra ser romântico, nem precisa ser bom escritor.
Basta mostrar o que tens guardado no coração.
Deixe fluir o ar do romance e da emoção.
E quando sentires como é romântico ser,
Nunca mais com desencantado pelo mundo irás viver.

domingo, 28 de abril de 2013

Querendo.

Como queria um piropo
mas queria um cantado
queria esse galanteio
que tudo tem de safado

Queria um pierrot.
que chora desolado
por um amor
que quase sempre é inventado

Queria um hino
um canto desesperado
saído de entranhas
e em choro embebedado

Queria uma canção
um incendeio
mesmo que não exista realmente
queria trocar a parte pelo inteiro





Sinto Falta

Não há nada que se possa fazer.
Não há nada que se possa crer.
Entendo de tal maneira,
Pois nada foi resolvido.
Nada foi realmente compreendido.

Talvez sentimentos passem
E desejos também
Sonhos de um dia poder vencer
Superar, continuar a viver.

Quero poder ver seu rosto
E expressar tudo que realmente sinto.
Rever conceitos,
Saber a verdade,
A realidade.

Descobrir talvez que nada foi em vão.
Lugares distintos se formaram.
Distância...
Eternidade.
Sinto falta.

Mente máscula desfigurada


Proteína
Creatina.

Malhar
Ganhar.

Carro,
Tirar sarro.

Pegar
e não se apegar.

Não sei onde
os princípios masculinos 
foram parar.

sábado, 27 de abril de 2013

Grande Amigo


Não preciso fazer nada,
Nem demonstrar,
Ao simples olhar,
Você sabe me identificar.

Que belo este amigo eu estou,
Conversas loucas e longínquas.
Sorrisos e risadas explícitas,
Não tenho vergonha de quem tu és.

Gosto tanto de estar com você,
Acredito ser um grande amor
Fraterno,

Sincero.