domingo, 21 de setembro de 2014

Os cantos

Todos os apertos no peito me trazem o sinal.
A sua falta é inevitável.
Os filmes me preenchem por duas horas.
As músicas me esvaziam pelo resto do dia,
Enquanto meus olhos querem se encher de lágrimas
Que são desfeitas no simples exercício de canto.
Nada alivia mais que cantar,
E o próprio canto me entristece.
Me lembra do fardo que carrego
Ou de tudo que não carrego,
Pois nada tenho.
É o canto que me guia
A lugar nenhum.
É onde eu encontro minha agonia,
Mas ainda me sinto na zona de conforto.
Um conforto nada confortável,
Cheio de dor, lacunas vazias e necessidades sem sentido.
É o canto que me traz as tuas promessas,
Com a voz que diz não esquecer.
É a mesma voz que vira as costas pra mim no dia seguinte.
Por alguma razão, parece que as sinfonias sempre acabam antes de amanhecer,
E é por isso que sinto sua falta quando acordo.
Quando eu volto pra ti,
Venho cantando, seja a música que for,
E tu já me entendes.
"Canta aquela que a gente sabe".
Eu não consigo me acostumar com esse teu jeito de me entender.
Não consigo deixar todas essas coisas passarem
Com tudo que está acontecendo comigo.
Eu me sinto apertado, no canto do quarto escuro.
Que decisão tomar?
Eu nunca soube.
É por isso, e só por isso, que volto pra ti com os mesmos cantos
Como se eu fosse um passarinho que nunca aprendeu a voar.
Um passarinho que sempre vai voltar.