quinta-feira, 8 de maio de 2014

Perfeito

O que vem de dentro
E vem só de si
Pensa-se que deve ser completado
Que todo amor deve ser consagrado
Ora, sim
Se quisermos colocar tudo a perder
Se quisermos viver os riscos da vida
Que, te digo com certeza, valem a pena
Ninguém se expõe por burrice plena
Só os iludidos demais para perceber

Toda declaração de amor
Passa futuramente a ser um compromisso de morte
Uma tentativa frustrada, mas sincera
De querer revelar um amor duvidoso
Todo amor declarado
Automaticamente se torna corrompido
Depois de um tempo, o amor fica dividido
Os amantes tendem a escolher lados
As discussões vão vindo
Concordâncias serão trabalhos árduos
E todo o esforço pelo outro
Às vezes parece banal e desnecessário
Mas a exposição se torna uma grande dádiva futura
O que se passa de verdade
É que nenhum amor virá a ser perfeito
Pois este, quando se concretiza
E quando as duas partes se encontram envolvidas
Faz o mundo girar diferente
E as ilusões das pessoas são desconstruídas
Melhor assim?
Não sei
Melhor morrer de amor?
Ah, posições críticas são muito difíceis de serem tomadas
Só o que fica da jornada revelativa do amor
É que ele só é e permanece perfeito
Quando está em segredo no peito e na alma de quem ama
Pois se o coração por si mesmo
Chega para a alma do outro
E apaixonado se declama
A ilusão do amor se desconstroi
Mas o amor, este permanece
Mais forte a cada dia
Ou mais doloroso a cada morte