segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O farol (um psicopata por amor)

Era uma noite de garoa estragada
Com a cabeça cheia de agonia
Ele encostou em sua almofada
Para fantasiar a nostalgia
Sem sonhar, saiu perambulante
Lembrou-se do que podia emocionar
De repente, sem mostrar nenhum semblante
Achou o que estava a procurar
Chegou à sua porta com um buquê de lírios
Que estavam no vento do jardim a relaxar
Invadiu a casa e viu um delírio
Empalidecendo ao se aproximar
A mulher, perplexa, impressionou-se
O buquê ele entregou
Assustada, ela não apaixonou-se
Eis que ele então a machucou
Já era como um louco
Mais sombrio que a própria noite
Cortes superficiais foram pouco
Ele a esfolou as costas com um açoite
E a deixou derramar lágrimas de sangue
Enquanto ria, descontrolado
Levou-a ao mangue
O lugar tão esperado
Nos olhos dela, apenas desespero
Enquanto o carro os levava ao destino
Ele dizia que todo aquele drama era um exagero
Que ela choramingava feito um menino
Amarrou-a com cordas nas mãos e nos pés
Deitou-a na lama e ali passaram juntos
Contemplando o luar descansar no sopé
Enquanto preparava mais um defunto
Partiram então para o farol
E na areia da praia, ele não perdoou
Arrancou seu coração, lhe deitou num lençol
Lamentava ter perdido mais um amor
Subiu as escadas e assistiu a luz passando no escuro vazio
Assim como também se sentia
Amor nenhum lhe salvaria, era um assassino frio
Loucura e ódio o conduziam
E a razão da noite chegou, então
A lua deitou sua luz no corpo dela
Tocou seu peito vazio, sem coração
E ressucitou-a toda em branco, mais bela
Mas fria, como a brisa da noite
Ela cumpriu com seu simples destino
O relógio bateu meia-noite
E ela andou com seu ar feminino
Foi-se, em direção ao horizonte
Para, assim, nunca mais voltar
Nem ver seu assassino defronte
Pra não poder se vingar
E com ela, foi-se tudo
Destruiu seu coração
E no final, ele não se sentiu imundo
Não era amor, apenas paixão