segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mereço

Se você parasse com suas saídas descoordenadas,
Seus laços desnecessários,
Seus cigarros retardatários,
Escreveria mais.
Se você fosse menos insana,
Mais sem graça,
Mais careta,
Mais perneta,
Mais lambreta,
Mais chupeta...
Não, calma...
Talvez não era isso tudo.
Se você fosse menos mole,
Menos cabeça dura,
Menos protelação, mais amargura,
Mais coração
E muita ternura...
Apesar de que...
Eu sei que você é.
Pensei que você fosse engraçada.
Mas, é... nem tanto assim.
Eu pensei que iríamos nos dedicar.
Você se convidou,
Eu te aceitei.
Você veio, se foi, se deixou levar.
Sei lá...
Cadê você que não voltou?
Estou aqui e aguardo tuas cartas,
Guardo tuas latas,
Amasso tuas facas,
Enlaço tuas marcas
E te vejo partir.
O que é isso que se foi?
Nada mais.
A vida não é mesmo feijão e arroz.
Na verdade, não é nada que se dá para findar.
E aqui vou estar.
Eu escrevo mesmo, que é pra todo mundo escutar
(Ou seria ler?).
Você se foi, elas também.
Algumas dizem que voltam,
Outras dizem que é "complicado".
Ah, mais que nada!
Complicado mesmo é não ter expressão,
E isso a todos ofereço.
Mas se recebo sempre um "não",
Recebo mesmo o que mereço.