sábado, 5 de outubro de 2013

Carta de partida

Querido amor,
Parti e não volto mais.
Não quero andar com pé atrás.
Não quero carregar a minha dor.
Seria tudo tão mais simples se só fossem afagos.
Ou se fossem apenas olhares.
Apenas músicas.
Apenas nós.
Mas tudo se eleva em complexidade que não dá pra acompanhar.
Sei que sou menino e que nunca vou ser teu par.
Eu queria pode dizer que voltarei
Depois de uma longa jornada na Europa e Brunei,
Mas acho que tu já estarás com um homem de verdade.
Vou levar comigo o que me ensinasses,
Mas queria mesmo era ser levado por ti.
Toda a solidão que tu me deixaste
Fez abrir uma nova perspectiva em mim.
Eu, menino besta com muito a aprender, vou-me embora.
Se não quiser me perder, vem me buscar sem demora.
Eu ia morar ali, dentro do teu peito,
Na altura das tuas costelas, perto de onde a aorta faz a curva.
Mas não deu pra pagar o aluguel.
Te deixarei minhas palavras doces de mel
E meu escritor.
Não vai ser nada permanente,
Mas talvez ele seja suficiente
Pra cuidar de ti quando estiveres carente
E pra representar a parte de mim
Que é homem crescido.
Não foi isso que você tinha pedido?
P.S.: Ele te escreve, mas sou eu quem sinto o amor.