quinta-feira, 27 de junho de 2013

Inverno

     Ele passou por tudo e sobrou o silêncio. Só o silêncio e ele. Juntos. Completando-se. Tanto silêncio que escutava seus pelos erguendo-se quando tinha um calafrio. Não conseguia enxergar mais nada ao redor. Suas flores tinham, há muito, sumido. No céu, nem sinal de estrelas. No horizonte, um raio de sol ia se escondendo devagarinho. E ele se arrastava, como o verme que era, lutando incessantemente como um tolo. Todas as correntes do mundo puxavam-lhe o pé, mas ele não desistia. Chegou à exaustão, finalmente, enquanto o último raio de sol despediu-se. Triste, sentiu sua pele esfriar. Congelou, enquanto seu mundo escurecia à sua frente. Tudo se apagou. O homem fechou os olhos por um instante e, de repente, um vestígio de luz se mostrou em sua mente. Quando abriu os olhos e se deu conta do que estava acontecendo, desesperou-se. Aquele era o último raio de sol de um inverno que já tinha começado demasiado frio. Adiante, apenas frio e mais frio o aguardava. O verdadeiro inverno estava por vir. Tudo estava em sua beira de início.