terça-feira, 30 de abril de 2013

O matuto


O país inteiro acomodado
Uns, lutando pelos direitos que lhes convêm
Outros, sabem nem o que acontece

E a gente aqui, nessa terra sufrida
Tudo lascado, sem água, sem gado
Sem nem isperança im Deus
Num cai uma gotinha d'água derde sei lá quando
Home, esse calor num para de mi judiar!
Eu queria era uma chuvinha boinha dessa
Pra meu gado bebê água
Pra mó d'eu sustentar minha família
Mai nem ispaço pra desejo parece que tem mais
Todo dia é um calor da disgraça
Num passa nem vento na roça
Num passa rente
Num canta passarin
O rio de trás das mata secou-se todin
Valei-minha nossa sinhora!
Me acude, santíssima trindade!
Or menin tudin morreno de fome
Ar galinha, tudo maga
Dá nem pra apruveitar
Ar carcaça dos gado tudo ali, no meio da roça
Essa terra toda rachada
Toda lascada
Nóis tudo sujo, sem puder tumar bain
Sem consiguir arranjar trabaio fai tempo
E agora, eu faço o que da vida, bença?
Êssi guverno tá matano nóis tudin
Comé que essa pulítica foi acabar lascando o Nordeste todo?
Num sei, só sei que foi assim...