quarta-feira, 24 de abril de 2013

O grande julgador e as atitudes moldadoras


     Encontrou-se andando numa manhã agitada. Com uma bela harmonia na cabeça, começou a andar tranquilo, sereno e sem paciência pra nada. Pensou estar livre de julgamentos que o fariam sentir queimar suas cicatrizes outra vez.
     Viu a carroça de um estranho que nunca vira na vida atolada na lama. O homem se esforçava incessantemente para resolver a situação e nada conseguia. O grande julgador pensou então em ajudá-lo. Olhou de relance e simplesmente decidiu não fazê-lo. Não achava que aquilo ia fazer diferença em sua vida. Continuou andando, indiferente, mirando seu rumo.
     Poucos metros adiante, viu um antigo amigo com quem não tinha mais tanto contato vindo em sua direção. Parou em sua frente e o convidou a ajudar. O grande julgador, indisposto, preferiu não se meter na situação. Queria apenas continuar sua trajetória. Seu antigo amigo chamou-o então de "pessoa ruim".
     E enquanto tentava prosseguir seu caminho, ouvia ecoar em seus passos e seus pensamentos as palavras proferidas pelo antigo amigo. Sua consciência pesava cada vez mais. Foi aí que, depois de ajudar o estranho da carroça, o antigo amigo voltou e o julgou mais. "As pessoas ruins não são aquelas que matam. São aquelas que veem matarem alguém e não fazem nada", disse o antigo amigo, se retirando da presença do grande julgador.
     Sentiu, outra vez, suas feridas lhe dilacerando, lhe abrindo por dentro. Suas cicatrizes queimavam. Sentiu o gosto de seu próprio remédio outra vez. Percebeu que estava em um novo cheque-mate. Dessa vez, perdera o jogo.